A Psicoterapia Fenomenológica Existencial
As pessoas experimentam o mundo de forma diferente e única. Por mais que procuremos encontrar uma correlação, por menor que seja, que nos surpreenda com a possibilidade de vivenciarmos algo idêntico ao outro, nos decepcionamos, pois as percepções continuarão únicas. Esta sensação pode nos trazer a experiência de que estamos sós, porém, pode também, contribuir em perceber o universo de póssibilidades que o ato de viver nos presenteia.

Assim, não consigo conceber a atitude de se enquadrar alguém em um modelo teórico que pode fornecer algumas explicações técnicas mas que não consegue abarcar a unicidades das experiências.

Para tanto,  desenvolvo psicoterapia da fala através da abordagem fenomenológica existencial, cujo fundamentos contribuem na percepção da realidade existencial do sujeito e seu histórico, buscando as experiências singulares deste existir e, junto com o próprio sujeito, compreender a própria existência e seus significados, permitindo-se à  reflexão mais apurada dos fenômenos que surgem e do universo de escolhas. É fundamental descobrir e criar possibilidades para que se possa escolher, além de perceber o fenômeno tal como ele realmente é, permitindo que tenhamos o resgate da coragem e da vontade de viver, contruindo-se a si mesmo nesta jornada.

Fenomenologia existencial é uma forma de se pensar o mundo surgida na filosofia. Não se tem somente uma pessoa responsável por tal pensamento. É um movimento que foi surgindo na Europa, sobretudo após as grandes guerras,  havendo vários pensadores que contribuiram na edificação da mesma.

Como fenomenologia entende-se o processo de se perceber o fenômeno tal como ele se apresenta e seus fundamentos. Para tanto existe a predisposição de se retirar dos fenômenos, todo e qualquer espectativa que o observador possa ter acerca do mesmo, bem como todas as interpretaçãoes, estudos e pre-conceitos acerca do fenômeno que surge. É possibilitar que o ser surja e mostre-se como realmente é.

Existencial é a forma de perceber o humano através da sua própria existência. Temos uma concepção de pensar formulada pelo pensamenbto judaico/cristão, onde parte-se do princípio que a essencia precede a existência. Isto é, parte-se do pressuposto que o ser humano e a sua alma sejam pré-concebidas como surgidas já na sua magnitude, e completa. Acredita-se que a essência é completa e nata. Assim, a existência é decorrência desta essência e que a experiência da existência não a complementa ou a constroe.

Na visão existencial, a percepção é de que a essência não é nata e que o ser humano, o indivíduo, a pessoa, se constroi a partir de sua existência, de suas escolhas e das consequências do seu existir.

Nesta forma de pensar, o homem é o responsável pelo seu destino,  destino este que ocorre como consequência de escolhas na construção de si mesmo.

O paradoxo torna-se a identidade do sujeito, sendo a angústia o sentimento que permeia as escolhas, pois nos tornamos “culpados” ao descidir em extinguir  o que não foi escolhido, e responsáveis pelas consequências. O que nos torna livres, porém, não somos livres em não escolher sermos livres. Aqui Sartre diz que “somos condenados à liberdade”.

Contudo, muitas vezes sentimos que nos falta a “permissão” de viver e de nos construirmos através de nosass vontades, percepções e significados. Vive-se oprimido em um mundo sem sentido e pelas verdades absolutas que somos impingidos a adotar.

A análise desenvolvida juntos com o terapêuta, permite o resgate de si mesmo, a tal ´ponto de se tornar agente da própria história e da construção de si mesmo, através do “encontro”.  Admito que a possibilidade do encontro está relacionada à qualidade da relação existente entre terapêuta e paciente e não na intrumentação técnica existente, contribuindo para a edificação de ambos.

 
 
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